Wednesday, September 22, 2010

O Grande Aprendizado do New Brand Communication 2010

O evento, que aconteceu nos dias 13 e 14 na FAAP, contou com palestrantes de peso, agregou conhecimento e reafirmou questionamentos.

Independente de ouvir profissionais de diversas áreas de atuação, foi possível observar alguns discursos semelhantes, sendo um deles o que mais ecoou nos dois dias: A importância da equipe.
Tanto nos cases empresariais de Rob Siefker, da Zappos e Julia Gomez, da Jet Blue, quanto nos projetos de comunicação integrada das equipes de David Eriksson, criativo da North Kingdom e Robert Riccardi, sócio da Goodby Silverstein and Partners, foram atribuídos grande peso e importância aos próprios funcionários.

A começar pelo processo de contratação, no qual foram apresentados métodos singulares de cada empresa, dependendo de seus interesses, valores e filosofias. O interessante é que independente das diferenças, o objetivo é sempre o mesmo: obter maior assertividade na escolha de um novo profissional que se identifique com a filosofia da empresa e vice-versa, por mais piegas que isso possa parecer – infelizmente sabemos que nem tudo que parece óbvio, é de fato praticado.

Uma vez reconhecida esta transferência* de valores, a empresa passa a valorizar e a dar cada vez mais poder de decisão/ autonomia, para este funcionário independente do cargo ou responsabilidade que possua.

Fiquei com a sensação de estarmos entrando numa Era, que posso chamar de humanização, na qual este movimento prático de mudança das gestões empresariais representa apenas uma das ondas de comportamento que iremos vivenciar.

Surge então, um novo olhar para as relações profissionais - alguns falam até em resgate, como se esta valorização e consciência empresarial já tivessem existido no passado. Novas relações, onde funcionários deixam de ser empregados rotineiros e passam a ter mais autonomia, num modelo de trabalho mais horizontal em detrimento da hierarquia verticalizada. Onde prestadores de serviço deixam de ser fornecedores e passam a ser parceiros, a pensar junto, a construir todo um projeto em busca de um mesmo objetivo, sem precisar perder tempo com questionamentos de onde está a culpa ou o erro ou de quem deveria ser determinada responsabilidade.
Segundo Rob Siefker, a busca por um ambiente de trabalho verdadeiramente agradável para todos é o que faz a empresa prosperar e a criatividade vir à tona. Este é o movimento da queda da barreira do medo. Funcionários mais estimulados a pensar e a tomar decisões são funcionários mais seguros de si, de suas próprias escolhas, que são também partilhadas pela própria empresa, uma vez que as duas pontas se conectam através de seus valores e filosofias devido a processos mais assertivos de busca e manutenção de profissionais. Conseqüentemente, ambos tornam-se mais felizes e cria-se então, o famoso ciclo do ganha-ganha.

No caso da Zappos e da Jet Blue, é o serviço da empresa que agrega valor ao produto que vende. O atendimento é o verdadeiro protagonista da história, enquanto que o produto é o coadjuvante. Para que essa operação resulte em êxito, é necessário que quem a coloca em prática esteja numa posição realmente confortável.

Num contexto onde a comunicação é cada vez mais integrada e não há mais barreiras entre consumidores, marcas e quem as gerencia, faz todo o sentido que a integração ocorra também dentro do próprio ambiente de trabalho e que este seja propício à criatividade.
Os palestrantes estavam ali como gestores, mostrando e defendendo para nós que, de fato, esta prática existe e traz resultados reais. E mais do que isso, é a base necessária para o fomento da criatividade, das ideias inovadoras, da diferenciação e do sucesso. A engrenagem de uma empresa.

Dentro do mesmo conceito, também falou-se bastante na busca por profissionais mais generalistas e menos especialistas para a equipe. Os gestores tem valorizado cada vez mais a diversidade do conhecimento, enquanto que do outro lado, as novas gerações mostram-se aptas a oferecer talentos híbridos.

Resta saber que empresas no Brasil estarão abertas para estas mudanças nos próximos meses e anos (e, inclusive, quais já podem servir de Benchmark). São mudanças estruturais profundas, que fazem parte de um movimento maior e que, talvez demandem novas gerações de gestores em determinados casos, lembrando que estas mudanças só são possíveis porque são fruto de decisões de seus sócios-proprietários.

A única certeza que podemos ter é que, principalmente nós publicitários, temos muito a aprender com tudo isso.

* Termo Lacaniano utilizado para definir quando paciente e analista estão aptos a dar início ao processo de análise. É mais do que uma simples troca.

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